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URGENTE: O Que Você Precisa Saber AGORA Sobre Privacidade, Apps e Imigração


Por que a EMBRACE não recomenda o uso de aplicativos específicos para acompanhar ações do ICE


Nos últimos anos, a venda de dados pessoais se tornou um negócio gigante nos Estados Unidos. Empresas chamadas data brokers (corretores de dados) compram informações de centenas de aplicativos diferentes — muitos deles usados no dia a dia — e depois revendem esses dados para outras empresas, governos estaduais, órgãos federais e até forças policiais.


Quando falamos de comunidades imigrantes, esse tema é ainda mais sensível. Informações simples como localização, rotina, locais visitados, horários e perfis de uso podem ser cruzadas com bancos de dados públicos e privados e, a partir disso, criar padrões capazes de identificar pessoas sem que elas saibam.


Por isso, a EMBRACE prefere não recomendar aplicativos que prometem “mapear”, “alertar” ou “notificar” presenças do ICE. A razão não é que esses apps necessariamente vendam dados — muitos afirmam que não —, mas sim porque ninguém tem garantia total de como as informações de localização passam pelos sistemas da Apple, Google, provedores de internet, anúncios, GPS e demais plataformas que operam em segundo plano.


Em outras palavras: Mesmo que o app em si não colete dados, o celular, o sistema operacional e os anúncios podem coletar.


E isso já foi comprovado com vários aplicativos conhecidos pelo grande público.



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Como os dados “vazam” para empresas e, depois, para o governo


O problema não costuma ser o aplicativo em si, mas o caminho invisível que os dados percorrem:


1. O aplicativo coleta ou permite a coleta de localização, uso, publicidade ou métricas.



2. Esses dados vão para redes de anúncios ou empresas de análise.



3. Essas empresas vendem pacotes de dados para data brokers.



4. Alguns data brokers vendem acesso a forças policiais, órgãos públicos ou contratadas do governo (incluindo unidades que trabalham com segurança, fronteira e vigilância).




Ou seja:

Não é o app “X” que vendeu seus dados para o ICE.

O problema é todo o mercado que funciona por trás dele.



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O caso dos apps do Starbucks e do Waze


Investigações recentes mostraram que dados de localização coletados por apps populares como o aplicativo do Starbucks e o Waze acabaram em bases de dados vendidas por empresas como Venntel — que, por sua vez, fornece informações para ferramentas de vigilância usadas por forças policiais e órgãos federais.


Isso não significa que essas empresas “entregaram” dados diretamente ao governo, mas sim que o caminho indireto via publicidade e métricas permitiu que esses dados fossem parar em plataformas de vigilância.


Esse tipo de descoberta reforça a preocupação da EMBRACE:


Se até apps enormes, famosos e com grandes equipes de segurança têm seus dados usados dessa forma, aplicativos pequenos, novos ou especializados em temas sensíveis podem oferecer riscos ainda maiores.



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10 aplicativos populares cujos dados apareceram comprovadamente em bases vendidas por data brokers


A seguir, lista de apps que já foram identificados como fontes de dados usados por corretores que vendem informações para forças policiais ou órgãos governamentais nos EUA. Esses nomes aparecem em investigações da imprensa, ações judiciais e relatórios de privacidade envolvendo empresas como Gravy Analytics, Venntel, Mobilewalla e Predicio:


1. Candy Crush



2. Tinder



3. MyFitnessPal



4. Call of Duty: Mobile



5. Flightradar24



6. 9GAG



7. Kik Messenger



8. FUTBIN



9. CallApp – Caller ID & Block



10. Truecaller – Caller ID & Block




Importante lembrar:

A aparição de um app nessa lista NÃO significa que ele vende dados “direto para a polícia”.

Significa que os dados gerados por seus usuários apareceram em bases de corretores que vendem informações para órgãos governamentais.


E se isso acontece com apps gigantes, o risco é ainda maior em apps menores, sem equipe de segurança robusta ou com políticas de privacidade fracas.



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E os aplicativos de alerta de presença do ICE?


Até hoje, não há provas públicas de que apps de alerta do ICE ou de apoio a imigrantes vendam dados diretamente ao governo.

No entanto:


muitos deles são pequenos, sem auditoria externa;


dependem da Apple/Google para notificações e localização;


às vezes usam sistemas de anúncios de terceiros que podem coletar dados mesmo sem o desenvolvedor perceber.



Isso significa que não é possível garantir que dados de usuários não possam ser capturados indiretamente pelo ecossistema de publicidade e localização do celular.


Por isso, a EMBRACE decidiu por uma política de precaução:

não recomendamos apps específicos para acompanhar ações do ICE.

Nosso compromisso é com a proteção e a segurança da comunidade, especialmente num momento em que dados de localização são usados de forma cada vez mais ampla.



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Como a comunidade pode se proteger


A recomendação da EMBRACE é focar em medidas simples e práticas:


Desligar a localização do celular sempre que não estiver usando.


Revisar permissões de aplicativos regularmente.


Desativar o “ID de Publicidade” no Android e no iPhone.


Evitar instalar apps pequenos ou desconhecidos que prometem recursos sensíveis.


Preferir informações vindas de organizações confiáveis, verificadas e com reputação sólida.


Em situações de risco, buscar orientação direta de organizações comunitárias, advogados e redes de apoio.




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Conclusão


O objetivo da EMBRACE não é causar medo, mas sim empoderar a comunidade com informação clara e realista.

O mercado de dados nos Estados Unidos é complexo e, muitas vezes, injusto com minorias, imigrantes e pessoas de baixa renda.


Por precaução e por responsabilidade, não recomendamos o uso de aplicativos que monitoram ações do ICE, já que não existe garantia de que dados de localização — mesmo coletados indiretamente — não possam ser usados de forma indevida contra nossos membros.


A segurança da comunidade vem sempre em primeiro lugar.

 
 
 

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